Depois como toda mulher frustrada, comecei a pontuar meus defeitos, e os seus também, e procurei o motivo pelo qual você não apareceu, afinal, era nosso segundo encontro - e você mesmo que marcou. Olhei para todos os cantos e li o nome do café novamente no cardápio, para ver se eu não havia me enganado, porque você sabe como - algumas- mulheres são, elas criam a esperança e quando quebram a cara, elas se culpam, mas não! Dessa vez não ia ser assim, você me deu motivos pra confiar, mas eu já tinha quebrado a cara outras vezes, já vim preparada; se quer saber, já vim desacreditando em você; na verdade eu sabia que esse encontro seria um talvez, porque talvez você viesse, iriamos conversar, você ia falar do seu gosto por Chico Buarque e a poesia de Drummond, teríamos isso em comum e nós nos beijaríamos, terminaríamos na cama como dois amantes e começaríamos um relacionamento; mas eu também tinha imaginado o outro talvez, você não viria, eu pegaria minha bolsa, reconstituiria meu ego -ferido- e sairia do café como se nada tivesse acontecido; mas não foi o que ocorreu também.
Eu simplesmente fiquei ali, naquela cadeira de vinil laranja desbotada, fiz o meu pedido ao garçom e fiquei olhando pra outra cadeira, imaginando todos os diálogos possíveis que poderiam ter acontecido; mas agora só se passavam monólogos na minha cabeça, eu e meu ego, a razão e o sentimentalismo, um choque de realidade misturada e a esperança, um debatendo com outro, mas no fim, as lágrima venceram os monólogos e pôs fim ao silêncio ensurdecedor e ao conflitos internos dos meus pensamentos.
O café chegou, estava amargo, assim como minha vida no momento, completando mais um clichê que acontece quando a gente quebra á cara. Por fim, eu parti, mas nesse momento a hora não importava, aliás, nada mais importava.
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