26 de jun. de 2012
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Maquiagem borrada, chora, alaga, transborda. Sentada no banheiro, calada, soluçando, morrendo. Sentimentos a mil, raiva, saudade, medo. Um dor espiritual, dilacera, corrói, machuca. Fecha os olhos, some, foge, desprende. Levanta, olha no espelho, limpa a maquiagem, promete não chorar. Despenca, pensa no que ouviu, os olhos vacilam, o choro volta. Respira, pede desculpa a Deus - por talvez ter vacilado e feito coisas ruins-, sufoca um grito, abraça as pernas. Levanta, olha pra si mesmo através do espelho, repete as três palavras que sempre soube usar "eu estou bem", sorri e vai.
Atrás da porta, um corredor vazio, mas cheio, cheio de lembranças, ressentimentos, cheios de tudo que ela já não suportava, e vazio de coisas que ela sentia falta, sorrisos sinceros, amigos verdadeiros, autoconfiança, amor. O frio era agradável, porém assustador, assustador porque ela se sentia sozinha, desprotegida, vulnerável a tudo, e o calor que fazia vinha de dentro, da vontade de gritar, do choro independente, da sua força ao correr pra sair desse corredor sem fim, que ia do seu nascimento, até o dia de hoje. Ao final do corredor, encontrou três portas, uma era do esquecimento, lembrou-se de tê-la usado por várias vezes, e realmente ela a levava para muitos lugares bons, mas por muitas vezes ela teve de ferir seu ego e orgulho pra seguir em frente e mesmo seguindo em frente ela voltava ao passado e se lembrava de tudo que haviam dito pra ela, e mesmo jurando esquecer, as palavras ainda faziam efeito sobre ela; a outra tinha o nome continue, ela olhou exasperada, pra ela aquilo não fazia sentido algum, porque naquele momento ela já estava cansada, magoada, sofrendo, e nem se quer teve vontade de pensar em todas as coisas boas que viriam a seguir; ela só queria acabar com toda aquela dor, e optou então pela terceira porta, aquela que um dia ela nunca havia cogitado entrar, mas naquele momento ela parecia querer tanto aquilo, que partiu por entre a porta e tudo acabou, literalmente tudo.
Pobre garota! Tão cansada, tão magoada, tão sem "nada", que decidiu por partir. As palavras foram mais fortes do que sua vontade, do que sua autoconfiança, do que sua inteligência e integridade. E então o peso das palavras de alguém a levaram, para um fundo sem fim e sem volta. Diante disso, espero que você possa realmente medir todas suas palavras antes de dizê-las.
(HBM)
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Lindo Hellen. Lindo.
ResponderExcluirÉ nos textos mais sombrios que conseguimos colocar o que sentimos de verdade. A vida não é feita só de sentimentos bons, certo?
Parabens. Adorei esse seu lado. :) Continue assim.
Beijos, Oton.
Amiga ameei ><, esta perfeito *-*
ResponderExcluirFico feliz em saber que meus textos mais "sombrios" chamam atenção, tanto quanto os mais "normais", obrigada pelos comentário :**
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